Eu preciso começar esse post te contando uma coisa: eu fui para a Casa Silva achando que seria “só mais uma vinícola linda no Valle de Colchagua”… e saí de lá querendo morar naquela vinícola. É tanta coisa para contar, que vou começar pelo restaurante da vinícola Casa Silva. E confesso que vou precisar de uma parte 2 para terminar sobre a parte do enoturismo.
Sabe aquele lugar que combina paisagem, vinho bom, comida gostosa e ainda tem aquele clima de fazenda elegante, com cavalos passando ao fundo? Então. É exatamente isso.
A Viña Casa Silva fica no coração do Valle de Colchagua, a cerca de 2h30–3h de Santiago, na região de San Fernando. É uma das vinícolas mais tradicionais do Chile — a família Silva está no mundo do vinho há mais de um século — e isso aparece em cada detalhe: da arquitetura colonial preservada ao cuidado com a experiência de quem visita.
Eles são especialmente reconhecidos pelas uvas Carménère e Cabernet Sauvignon, mas a verdade é que a Casa Silva vai muito além da degustação tradicional. Lá você encontra:
Experiências completas de enoturismo
Hotel boutique dentro da propriedade
Restaurante próprio (que é o protagonista do nosso post de hoje)
Atividades ao ar livre
Centro equestre com criação de cavalos de polo
A Casa Silva tem uma forte ligação com o polo e inclusive conta com campo e criação de cavalos próprios. E isso muda completamente a atmosfera do lugar — você não está só em uma vinícola, você está em uma propriedade viva, com movimento, tradição e personalidade.
Uma coisa é visitar uma vinícola para provar vinhos. Outra coisa é sentar à mesa, com vista para os vinhedos, e viver uma experiência gastronômica pensada para harmonizar com tudo o que nasce ali mesmo, na propriedade.
E é exatamente sobre isso que eu quero te contar agora.
Minha experiência no restaurante da vinícola Casa Silva.
O Chardonnay Sour é uma releitura mais vínica e elegante do clássico Pisco Sour. Enquanto o Pisco Sour leva pisco — um destilado de uva — e tem uma presença alcoólica mais intensa e marcante, o Chardonnay Sour troca essa base pelo vinho Chardonnay, o que deixa o coquetel mais leve, fresco e aromático. A estrutura continua parecida: suco de limão, um toque de açúcar e, muitas vezes, clara de ovo para dar aquela espuma cremosa por cima. Mas o resultado muda bastante: em vez da potência do destilado, você sente a acidez vibrante do vinho branco, notas frutadas e uma elegância mais delicada no paladar. É perfeito como aperitivo, porque abre o apetite sem pesar — sofisticado, equilibrado e com aquela personalidade que combina demais com um almoço em vinícola.
As bolinhas de prieta com gorgonzola — a tradicional linguiça negra chilena — tinham sabor intenso e textura macia por dentro, com aquele toque marcante que combina lindamente com vinho tinto. A empanada de charque veio dourada, recheio bem temperado, trazendo aquele lado mais autêntico da cozinha chilena. Duas entradas simples na aparência, mas cheias de personalidade no paladar.
A escolha do vinho... melhor parte!
O Casa Silva Romano, da Viña Casa Silva, nasce de um trabalho muito especial de recuperação de vinhedos antigos no Valle de Colchagua. A história da família Silva está profundamente ligada ao desenvolvimento vitivinícola da região, e foi justamente nesse processo de resgate que encontraram plantações de 1912 na zona de Angostura.
Dessas vinhas históricas surge o Romano — uma cepa patrimonial chamada também de César Noir. Originalmente cultivada na Borgonha, essa variedade hoje está praticamente extinta em sua região de origem. No Chile, existem apenas cerca de 10 hectares plantados.
Ou seja, não é apenas um vinho diferente. É um vinho raro.
Quando o garçom nos sugeriu o Romano, não era só uma recomendação gastronômica. Era um convite para provar um pedaço da história do Colchagua, preservada em vinhas com mais de um século de vida. E isso torna a experiência no restaurante ainda mais especial — porque você entende que ali não se trata apenas de servir vinho, mas de manter viva uma herança.
Sim, você leu certo. A cremosidade clássica do cheesecake combinada com aquela camada caramelizada por cima, quebrando com a colher e fazendo aquele som que já anuncia que vem coisa boa. Equilibrado, nada enjoativo, textura perfeita e final elegante — daquelas sobremesas que fazem você diminuir o ritmo do almoço só para aproveitar cada colherada.
Depois do almoço, eu ainda dei uma passadinha na loja da vinícola — e vale muito a pena. Além de ter excelentes preços, eles costumam ter promoções especiais, principalmente para quem faz os passeios na vinícola ou almoça no restaurante. Ou seja, já que você está ali, é o momento ideal para aproveitar e levar alguns rótulos com desconto.
E uma coisa que eu adoro: ali mesmo, no balcão da loja, você pode fazer degustações. Foi exatamente assim que experimentei outros vinhos, como esses da foto. É aquele tipo de parada rápida que acaba se transformando em mais uma experiência dentro da visita.
Se eu pudesse resumir a experiência no restaurante da Viña Casa Silva em uma frase, eu diria que é o tipo de lugar que entrega exatamente o que promete: boa comida, vinhos com história e um cenário que faz você querer ficar mais um pouco — e, às vezes, é só isso que a gente precisa para transformar um almoço em uma lembrança especial.
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